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Mercado imobiliário ao rubro em Gaia

Mercado imobiliário ao rubro em Gaia

Preços das casas não param de subir. Custo da habitação ultrapassou a média nacional no segundo semestre deste ano, acima dos mil euros por metro quadrado. E o mais provável é a tendência manter-se. As contas municipais agradecem o aumento da receita e da atividade económica.

Pela primeira vez desde o primeiro semestre de 2016, a cidade de Gaia registou, no segundo trimestre deste ano, um preço de habitação superior ao valor médio nacional: 1031 euros por metro quadrado. Os dados são do Gabinete de Estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) e refletem o crescimento do mercado imobiliário num concelho que está a fervilhar.

Numa altura em que o setor do turismo assume um papel de destaque e contribui para o crescimento da atividade económica, ainda é o setor residencial que regista um maior número de transações. Sendo que, nesta categoria, as freguesias da Madalena, Canidelo e a União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada são as que ocupam os lugares do pódio, revela ao JN Urbano Luís Lima, presidente da APEMIP, sublinhando que “o mercado de Gaia está muito interessante, tendo vindo a registar um aumento na procura e no número de negócios realizados, quer por cidadãos nacionais quer por estrangeiros”.

Para o presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, a fixação de novos habitantes é um dos principais fatores que contribuíram para o crescimento económico do concelho. “A entrada de novos habitantes repercute-se em receita adicional para o Município, uma receita ótima porque não surge do aumento de impostos, mas da atividade económica”, explica o autarca. Essa é, aliás, uma das diferenças em relação ao que costumava acontecer em anos anteriores.

“Atualmente, o concelho é visto como uma extensão da zona urbana do Porto e está a crescer porque uma boa parte deste crescimento não é dormitório. As pessoas estão a comprar em Gaia porque querem viver e trabalhar em Gaia”, afirma o edil.

No que toca aos dados oficiais de licenciamentos, o Município assegura que os números têm aumentado exponencialmente. Sendo que “no que se refere aos novos pedidos, nomeadamente de comunicações prévias, licenciamentos, pedidos de informação prévia e comunicações de obras isentas de controlo prévio, o crescimento foi de 30%, ascendendo a perto de dois mil novos processos”. Uma subida que se traduz em muitos milhares de euros. “Relativos aos licenciamentos, comunicações prévias e legalizações, os processos entrados em 2019 correspondem a cerca de 560 mil metros quadrados de construção, 2250 fogos e um valor total de investimento de 335 milhões de euros”, avança a Câmara de Gaia.

Sublinhando os efeitos positivos para a economia do concelho, Eduardo Vítor Rodrigues reconhece que o boom do mercado imobiliário também acarreta “algumas coisas más, desde o aumento do preço da mão de obra e dos preços da habitação, ao exagerado aumento do alojamento local, que está a criar dificuldades ao arrendamento”.

A esperança de obter lucro imediato faz com que cada vez mais pessoas se sintam atraídas pela ideia de recuperarem imóveis devolutos para fazer deles negócios de alojamento local. Para controlar essa tendência, a Autarquia está “a finalizar o zonamento das bolsas de alojamento local”, uma proposta que será levada a reunião de Câmara no início do próximo ano.

Segundo o presidente da APEMIP, “neste momento o stock imobiliário existente é superior em imóveis usados do que em imóveis novos, o que decorre das consequências da inexistência de construção durante o período de crise económica e financeira em Portugal”. Aliás, numa altura em que, como destaca o presidente da Câmara, “a Banca ainda está muito retraída”, as famílias e os jovens casais deparam-se com valores difíceis de suportar na hora de comprar ou arrendar casa.

Segundo Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, no terceiro trimestre deste ano, “os preços da habitação em Gaia subiram 11,4% face ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do Índice de Preços Residenciais”. Para o representante da Confidencial Imobiliário, trata-se de um “mercado que está bastante dinâmico, sendo aquele onde, no contexto da Área Metropolitana do Porto (AMP), se vendem mais casas”.

Se os dados do Gabinete de Estudos da APEMIP apontam para um valor de 1031 euros por metro quadrado no segundo semestre, a tendência de crescimento já é comprovada, também, pelos dados relativos à média das transações residenciais no terceiro trimestre deste ano. É que, de acordo com a Confidencial Imobiliário, “em termos de preços de venda, Gaia situa a média das transações residenciais em 1195 euros por metro quadrado”. E desengane-se quem pensa que só na zona mais urbana do concelho se praticam preços acima dos mil euros por metro quadrado.

Isto porque, segundo o diretor da Confidencial Imobiliário, no terceiro trimestre deste ano, “Arcozelo, Canelas, a União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares e a União de Freguesias de Pedroso e Seixezelo também registaram vendas acima dos 1100 euros por metro quadrado”. Para Ricardo Guimarães, o aumento da procura em Gaia mostra “uma nova realidade que resulta da globalização da cidade, um destino quer turístico quer de empresas e profissionais que procuram a sua qualidade de vida e competências”.

Com o aumento da atividade económica a contribuir “para a diminuição da pendularidade entre Gaia e Porto e entre Gaia e Matosinhos”, Eduardo Vítor Rodrigues aponta vários fatores que, a seu ver, contribuem para que muitos escolham o concelho de Gaia na hora de comprar casa. “O município tem inúmeras coisas para oferecer, quer em termos de equipamentos e acessibilidades quer no que toca à rede de escolas e às IPSS”, nota o autarca.

Fonte: Jornal de Notícias. Artigo redigido por Célia Soares.

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Nuno Branco

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